Em um sistema democrático, as greves retornam direitos abafados pela sociedade capitalista hierarquizada. O que hoje é direito, foi conquistado com muita luta e conscientização do poder que o trabalhador possui diante do sistema de produção de bens. Sempre vemos as greves de diversas categorias de trabalhadores sendo relatadas de forma tímida na televisão, mas a última greve dos caminhoneiros nos mostrou diversas coisas que havíamos esquecido. Esquecemos porque estamos imbuídos de uma cultura do confortável, de uma sociedade que jogou em nossas mãos tudo o que consumimos com muita facilidade; basta ter dinheiro.

E tudo parou…

De repente as estradas pararam, os carros não se deslocaravam. A gasolina acabou, acabou a verdura, acabou o pão. As prateleiras estavam vazias. Tudo estava sumindo.
“Onde está o patê especial para o lanchinho da tarde?” “Onde está meu pão favorito?” “O sabonete do meu banho relaxante?” “E agora o que faço sem…” Aqui estamos nós, humanos frágeis perante a ausência daquilo que consumimos.

A greve dos caminhoneiros nos trouxe algumas reflexões sobre o mundo que estamos vivendo, os nossos cosméticos e a forma com que consumimos. E devemos sempre em meio a situações críticas como esta, pensar.

A COMPRA ONLINE E O CHAMADO “FRETE GRÁTIS”

As compras online trouxeram a facilidade do consumo para o trabalhador cansado, que precisa gastar seu dinheiro com algo prazeroso, mas não tem tempo para a paixão das compras presenciais.
Pijama no corpo, edredon, um café do lado, computador ou celular em mãos, internet e um cartão de crédito. Basta. O mundo das compras está em nossas mãos, sem precisarmos sair do sofá.
Neste meio, a facilidade da compra nos faz pensar numa entrega também fácil e de preferencia, sem taxas.Aquilo que se comprou como um passe de mágica, deve aparecer como um passe de mágica. Desta forma somos bombardeados pela política do “frete grátis”, um frete grátis que na prática não existe, porque o serviço de entrega deve ser remunerado de alguma forma. E quantas vezes compramos mais do que precisamos para não pagar o frete?
Mas como chegam em nossas mãos as nossas compras, sem um trabalhador, uma carteira de habilitação, deslocamentos extensos por estradas, combustível, pedágios, taxas, noites a fio? Na mentalidade do comprador da internet, estas coisas simplesmente são esquecidas.

APRENDER PARA NÃO DEPENDER

Na ocasião da greve dos caminhoneiros, muitos relatavam sobre a dificuldade em encontrar artigos nas lojas. Tudo sumiu das prateleiras e lamentamos… Lamentamos porque somos dependentes do que consumimos. Nesta relação, esquecemos de aprender. Uma frase clichê que muito encaixa nesta situação é aquela que diz “o conhecimento liberta e a ignorância escraviza”. Nos tornamos escravos da industria. Deixamos nas mãos da industria o que é melhor para nós.
Na busca de pão, as pessoas iam ao supermercado e saiam de mãos vazias. Esqueceram da farinha. Esquecemos da magia de fazer nosso próprio pão.
Deixamos de lado inclusive o gostoso que é fazer nossos próprios cosméticos pela perfeição da cor, cheiro e beleza das performances químicas das grandes industrias. E quantos ingredientes nocivos colocamos em nosso corpo por conta disto…  Adoramos a definição dos cachos, o controle do frizz e do volume. Somos dependentes do padrão de beleza que a industria cosmética nos impôs.

Um dos problemas que nos deparamos com relação a não meter a mão na massa e aderir a cosmética artesanal, não é a dificuldade de encontrar cursos pois fórmulas estão disponíveis na internet, mas o julgamento que fazemos quando afirmamos que o nosso nunca é tão bom como os produtos da industria. 

COMPRE DE QUEM FAZ. COMPRE AO LADO

Estamos cada vez mais preocupado com os produtos que aplicamos em nosso corpo e isto de verdade é bom. O impacto do petróleo no meio ambiente já foi muito debatido e em pleno século XXI, com celulares cada vez mais modernos, esquecemos de comprar de quem está perto da gente. E estamos cada vez mais dependentes do caminhões, dos transportes de longa distância, das estradas.

Quer entender como cosméticos com derivados de petróleo alteram todo o meio ambiente? http://mundopoo.com.br/2017/03/08/cosmetica-capilar-e-derivados-de-petroleo-uma-abordagem-ambiental/

Nos preocupamos com a beleza da nossa pele e de nosso cabelo, mas não estamos preocupados em manter a pureza do nosso ar, a integridade dos mananciais, a preservação do nosso verde. Somos egoístas e um tanto burros, pois tudo isto faz parte de nós. Quanto mais longe compramos, mais impacto para o meio ambiente causamos.

Você sabia que as grandes lojas de cosméticos e até marcas que usamos, estão nas mãos de grandes coorporações? 🙁

Se valorizamos o pequeno, a amiga que faz o creme dental, a saboeira da sua cidade, estaremos cada vez menos dependente dos transportes e das grandes industrias. É bonito e pessoal. Eu e você temos o poder de com isto, apoiar sonhos de outras pessoas. 🙂

Carla Carvalho é professora de formação mas se aventurou nestas coisas da cosmética natural. Entusiasta do meio ambiente e alternativas de sustentabilidade lançando luz ao consumo consciente.